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O Paraíso no Golfo Pérsico

Autor Gilberto Schoereder
22/03/2011

Um dos mais antigos textos da humanidade, A Epopeia de Gilgamés, referia-se à existência de um Jardim do Éden no Golfo Pérsico.


O Paraíso no Golfo Pérsico

 

 

Considerada por alguns especialistas como a mais antiga obra da literatura mundial, a Epopeia de Gilgamés já se referia à existência do paraíso numa ilha do Golfo Pérsico.

 

Gilberto Schoereder

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(O Jardim das Delícias Terrenas. Hieronymus Bosch, entre 1480 e 1505)

Cerca de 3 mil anos antes de Cristo, os sumérios já falavam a respeito da existência de um local conhecido como o Jardim do Éden. Nos textos cuneiformes da Suméria – talvez os mais antigos do planeta – o local surge com o nome de Dilmun, um lugar puro, limpo e claro, onde a doença, a violência e o envelhecimento não existiam. Inicialmente, nesse Éden faltava água, mas o deus da água, Enki, providenciou isso, e Dilmun foi transformado num jardim repleto de árvores frutíferas, plantas e flores.
Ao contrário da teoria defendida por vários pesquisadores, situando o Jardim do Éden citado na Bíblia numa região entre os rios Tigre e Eufrates, os textos sumérios o situam numa ilha, hoje em dia conhecida como Bahrein, situada no Golfo Pérsico. Ali estava o centro de um reino que se estendia por boa parte da atual Arábia Saudita.
Diferentemente do Éden da Bíblia, Dilmun era considerado um paraíso apenas para os deuses. O único humano admitido nesse paraíso foi Ziusudra, também conhecido como Utnapishtim, citado na Epopeia de Gilgamés como o homem que, avisado pelo deus Enki, sobreviveu ao dilúvio construindo uma arca.

 

 

Imagem do deus sumério Enki, que permitiu que Utnapishtim sobrevivesse ao dilúvio. Foi Enki quem aconselhou a criação dos seres humanos a partir da argila formada em apsu, "o abismo das águas".
Os mitos dizem que Enki convenceu os demais deuses a deixarem suas moradas para vir à Terra instruir os seres humanos.

 

 

 

 

 

 

Essas narrativas sumérias reforçam a ideia de que muitas histórias da Bíblia foram, na verdade, baseadas na Epopeia de Gilgamés, adaptando-se à cultura babilônica que posteriormente dominou a região da Mesopotâmia, depois chegando aos hebreus.
O Bahrein já foi chamado de “ilha dos mortos”, devido à imensa quantidade de montes funerários pré-históricos existentes no local. No entanto, as escavações arqueológicas comprovaram que o Bahrein era o centro de um império que se estendia à atual Arábia Saudita. Mais do que isso, teria sido a única região que sobreviveu ao dilúvio.
O fotógrafo e arqueólogo saudita Nabiel Al Shaikh, do Dammam Regional Museum, entende que um dos sítios encontrados, com cerca de quatro mil anos de idade, comprova que a civilização Dilmun foi uma das primeiras a utilizar um calendário solar.

 

Taça com pedestal, objeto da civilização Dilmun, datado entre 2.000 e 1.800 a.C.

 

Dilmun estava localizada na encruzilhada das rotas de comércio entre o vale do Indo e a Mesopotâmia, e era um importante elo de ligação entre as duas civilizações.
As escavações arqueológicas no Bahrein começaram em 1954, lideradas por Geoffrey Bibby, que liderou a expedição dinamarquesa do Museu Moesgaard. Muitos objetos foram encontrados em sepulturas, assentamentos e templos, como ferramentas e armas da idade da pedra, com mais de sete mil anos de idade. Geralmente, os arqueólogos determinam o primeiro período da civilização entre 3.200 e 2.200 a.C. O período áureo teria sido entre 2.200 e 1.600 a.C., com a civilização se estendendo até cerca de 300 a.C., quando ocorreu um declínio no comércio de cobre que era controlado por Dilmun.


Ruínas do templo Ba bar, onde estaria localizada a "fonte da juventude", em Dilmun.

 

 

 

 

 

 

Claro que os objetos encontrados estão longe de sustentar o status de “morada dos deuses” atribuído à ilha na Epopeia de Gilgamés. No entanto, essa é uma situação que ocorre também com relação a vários documentos ou textos antigos do mundo. Por exemplo, a maioria dos estudiosos afirma que o texto sumério sobre Gilgamés foi escrito cerca de 3 mil anos antes de Cristo, também a idade aproximada da civilização suméria; mas outras linhas de pesquisa se referem a datas que chegam a 8 ou 10 mil a.C. Não são poucos os que situam o dilúvio em cerca de 10 mil a.C., de modo que uma civilização estruturada já deveria existir nessa época.
Quase todos os estudos preferem entender que as referências a um “paraíso terrestre” ou um “local onde os deuses residiam” não devem ser entendidas literalmente. A chamada “linha alternativa” de pesquisas vai por outro lado, partindo da especulação de que esses “deuses” de fato existiram, estabeleceram seus centros em várias regiões do planeta. A partir desses centros, dominaram ou ajudaram diferentes culturas, fornecendo informações que alavancaram o desenvolvimento ou, nos casos mais graves, escravizaram a população local.
A descoberta de que Dilmun era um centro importante no comércio entre a Mesopotâmia e o Vale do Indo, especialmente com Harapa, considerada uma das cidades mais antigas do mundo, reforça o argumento de inúmeros historiadores e arqueólogos segundo o qual as antigas civilizações do planeta tinham estabelecido entre elas um sistema de comunicação muito mais efetivo e constante do que se imaginava até alguns anos atrás. Por exemplo, hoje em dia, expedições científicas estão procurando comprovar a existência de comunicação entre o antigo Egito e a América do Sul, algo tido como certo por muitos especialistas.

 

Enki

O deus sumério Enki, que às vezes surge com o nome de Ea, é considerado o deus que sugeriu a criação dos seres humanos a partir da argila, outra semelhança com a criação do homem descrita na Bíblia, e que levou os especialistas a acreditar que o Gênesis foi baseado nos textos da Suméria.
Foi Enki quem convenceu os demais deuses a deixarem o local onde moravam e virem à Terra para instruir os humanos, que ainda andavam nas quatro patas e nus. Esse e outros relatos fizeram com que alguns ufólogos relacionassem esses deuses com a presença de seres extraterrestres num passado longínquo do nosso planeta, ideia rechaçada pela maioria dos historiadores e arqueólogos.
Alguns textos afirmam que, para ficar em paz, Enki se isolou na cidade de Eridu, que na época ficava às margens do Golfo Pérsico. Seu palácio se situava debaixo do mar, e ali ele dormia profundamente. Esse conceito parece que se estendeu até as civilizações posteriores, como a babilônica e a assíria, que se referiram à presença de seres conhecidos como akpalos; eles surgiam do mar, carregando aparelhos estranhos às costas, e ensinavam uma série de conhecimentos científicos às populações locais.

 


 


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