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Seres das Dimensões Paralelas

O Golem e Outros Seres Criados

Autor Gilberto Schoereder
21/03/2011

Há milhares de anos alquimistas e ocultistas vêm tentando criar vida artificial.


O Golem

e outros seres criados

 

 

 

A ideia de se criar vida artificial não é recente. As histórias da criação de um golem, de homúnculos e outros seres povoam o imaginário, lendas e mitos da humanidade por milhares de anos.

 

 

Gilberto Schoereder

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O golem do filme O Carrasco de Pedra (It, 1966. Seven Arts)

Deus criou os seres humanos e estes, não satisfeitos com sua capacidade de criar novos seres humanos por meio do processo natural e divertido, resolveram que deveriam criar outros seres, humanos ou não, por outros métodos. Assim, usaram a imaginação, a arte da magia, conhecimentos secretos ou a ciência para inventar seres com mais ou menos inteligência.
As histórias falam do golem, de homúnculos, demônios, robôs e outros seres artificiais dos mais variados tipos. Talvez a mais perfeita tradução desse ímpeto de criar vida onde não existe vida seja a história de Frankenstein e seu “monstro” – que se mostra mais humano que o criador – a qual gerou centenas de histórias mais ou menos semelhantes na literatura de ficção científica e de terror.
As criações por meio da magia também são muitas e se confundem com a literatura, com a fantasia lutando para conquistar seu lugar na realidade e os mitos ganhando espaço e status de histórias reais.
Mary Shelley escreveu Frankenstein em 1818. Gustav Meyrinck publicou seu Golem em 1915. Mas os mitos que os originaram são bem anteriores. Alguns autores ligam a ideia de Shelley ao mito grego de Prometeu, um dos titãs, que recebeu a missão de criar a humanidade e fornecer a ela e aos animais da Terra o necessário para que sobrevivessem. Prometeu roubou o fogo sagrado de Zeus para dá-lo à humanidade, sendo punido por isso.
Já o golem é uma criatura muito popular no folclore e lendas judaicas, e se diz que tem a forma de um ser humano, criado por meio de magia e poderes místicos. A origem do mito remonta ao Talmude e está ligado aos conhecimentos da cabala. Em vários pontos do Talmude existem menções a rabinos criando criaturas semelhantes aos homens, utilizados para levar mensagens.

O golem que passou para a história como a mais famosa criação foi o que teria sido elaborado pelo rabino Yehuda Leow ben Bezalel (1525-1609), de Praga, criado para proteger os judeus do gueto de ataques dos antissemitas. Para essa tarefa, o rabino teria se utilizado de instruções do Livro da Criação, de Eleazar de Worms (1160-1230).
Algumas versões da lenda dizem que, depois que o golem cumpriu sua função, o rabino resolveu não destruí-lo e o escondeu no sótão da sinagoga de Praga, onde permaneceria até hoje. Outra versão diz que o golem não parou de crescer, de modo que o rabino teve de destruí-lo.


O golem como protetor da comunidade judaica, na versão clássica da lenda para o cinema, de 1920, dirigida por Paul Wegener.

A literatura ainda explica que o golem pode ser feito de barro ou de pedra e, ao que tudo indica, o nome vem da palavra gelem, que significa “matéria-prima”. No entanto, algumas fontes afirmam que a palavra golem pode ser encontrada na Bíblia (Salmos, 139:16) e na literatura talmúdica, traduzida como “embrião” ou “substância incompleta”.
O golem ganha vida quando uma palavra específica é inscrita em sua testa ou numa tabuinha colocada embaixo de sua língua. A palavra é emet, que significa “verdade”, em hebraico. Para destruir o golem bastaria apagar a primeira letra da palavra, formando assim a palavra met, que significa “morte”. Outra versão diz que o nome escrito na testa do golem é o nome especial de Deus, o Schemhamphoras; quando sua missão é cumprida, o nome de Deus é apagado e ele retorna ao barro do qual foi criado.
O golem nunca, ou raramente, é apresentado como um ser com grande inteligência. Consegue realizar tarefas simples, e o grande problema fica sendo o controle que se tem sobre ele, ou como fazê-lo parar. 

A alquimia também tem suas histórias sobre a criação de seres artificiais, os homúnculos (homunculi). Paracelso (1493-1541) descreve um homúnculo (homunculus) em seu livro De Natura Rerum, até mesmo fornecendo a receita, que envolve deixar o sêmen de um homem numa retorta por 40 dias. Depois de um tempo, ele “finalmente começa a viver, se mover e se agitar, o que pode facilmente ser percebido”. Será uma espécie de ser humano, ainda que transparente e sem um corpo. Com a sequência do experimento, ele se torna um ser com a aparência de uma criança, ainda que menor. Esse homúnculo deverá ser educado com grande cuidado até que cresça e comece a mostrar sinais de inteligência.
Alguns estudiosos da alquimia entendem que essa criação de um ser artificial descrita por Paracelso e por outros alquimistas poderia ser uma metáfora, referindo-se de fato ao processo de criação da pedra filosofal, com o homúnculo representando a matéria-prima utilizada na fabricação da pedra.


(O Alquimista em Busca da Pedra Filosofal. Joseph Wright of Derby, 1771).

O médico escocês William Maxwell também falou sobre a criação de homúnculos em seu De Medicina Magnetica (1679). A primeira referência a um ser criado por processo alquímico parece ser a de Zózimo de Panápoles, um visionário que teria vivido em Alexandria por volta do século 3 ou 4. Outros nomes citados como criadores de homúnculos são os de Simão Mago, Arnaldo de Villanova (1238-1313), e Borel, médico de Luís XIV.
Uma história mais conhecida é a do conde Jean-Ferdinand de Kueffstein, austríaco que viveu no século 18 e que se diz que estava ligado à franco-maçonaria e à Ordem Rosacruz. Segundo a lenda, suas experiências foram realizadas com o auxílio do Padre Geloni, num convento de carmelitas da Calábria. Teriam conseguido “fabricar” seres artificiais que até mesmo teriam sido exibidos em Viena, em sessões apenas para nobres e poderosos. Diz-se que construíram um cavaleiro, um monge, um arquiteto, um mineiro, um serafim, uma freira, um espírito azul e um espírito vermelho, que foram mantidos fechados em recipientes de vidro com água pura. Como na experiência de Paracelso, os recipientes tinham de ser enterrados por quatro semanas em esterco de mula regado com um licor especial, preparado no laboratório. Depois desse tempo, as criaturas estavam desenvolvidas e apresentavam características humanas.
A literatura de ficção científica e de terror elaborou uma série de criaturas semelhantes a essas, inserindo-as definitivamente no imaginário popular, especialmente a partir do século 20.
Mas agora, com o desenvolvimento da engenharia genética, surgem novas possibilidades para a “construção” de seres. Uma situação que até alguns anos atrás se limitava à ficção, está cada vez mais próxima da realidade. Talvez os seres humanos sejam capazes de fazer o papel de Deus, recriando a si mesmos.
Se, com isso, irão elaborar ou não o monstro definitivo, ainda vamos ver.


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