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Insólitos e Estranhos

Objetos Fora de Época

Autor Gilberto Schoereder
30/06/2011

Uma bomba atômica no século 18? Os incas usando telescópios? Alguns pesquisadores têm se dedicado a descobrir objetos e inventos que aparentemente não se encaixam no conhecimento tecnológico da época em que foram criados.


Objetos Fora de Época

 

Uma bomba atômica no século 18? Os incas usando telescópios? Um submarino 300 anos antes de Cristo? Alguns pesquisadores têm se dedicado a descobrir objetos e inventos que aparentemente não se encaixam no conhecimento tecnológico da época em que foram criados. Alguns permanecem até hoje sem uma explicação plausível.

Gilberto Schoereder

 

 





O fragmento principal do mecanismo de Anticítera (Museu Nacional Arqueológico de Atenas).

Vários historiadores e pesquisadores que preferem não seguir as linhas de raciocínio e pesquisa habituais acreditam que existiram civilizações muito desenvolvidas num passado distante da humanidade. Alguns falam em 10 mil anos antes de Cristo, outros em 100 mil, e até um milhão de anos. Os vestígios dessas civilizações seriam muito difíceis de ser encontrados, mas algo de seu conhecimento teria permanecido vivo e sido passado a gerações posteriores. Às vezes, de forma bem clara; outras, de modo deturpado.
Segundo essa linha de raciocínio, parte dessa história perdida do ser humano pode ser identificada em objetos e invenções de épocas em que eles jamais poderiam ter existido. Nesse sentido, uma das mais antigas referências de que se tem notícia são os para-raios do Templo de Salomão – o santuário de Jerusalém construído durante o reinado de Salomão, aproximadamente entre 970 e 931 a.C. Diz-se que o templo mantinha a famosa Arca da Aliança, onde estavam guardadas as tábuas de Moisés com os Dez Mandamentos. E diz-se ainda que o templo era protegido das tempestades por 24 para-raios – isso cerca de 2.700 anos antes de Benjamin Franklin inventar o instrumento, em 1752. As tentativas para comprovar cientificamente essa suposição não tiveram resultado, o que não impediu inúmeras pesquisas em documentos antigos, como a própria Bíblia Sagrada.

Sem Provas
Roger Bacon – um frade fransciscano, filósofo e erudito inglês que viveu entre 1214 e 1294 – fez previsões sobre a existência de navios, automóveis, aviões e submarinos, dizendo ainda que esses aparelhos já eram conhecidos e construídos há muito tempo. Pesquisadores como Robert Charroux afirmam ser dele a informação de que Alexandre Magno (356-323 a.C.) teria utilizado um submarino em suas guerras de conquista. O relato de Bacon está naquela categoria difícil de ser definida: de um lado, não merece grande crédito por não ter qualquer embasamento científico ou comprovação; de outro, suas previsões foram registradas e confirmadas com um grau de precisão considerável.
Nessa mesma linha também existe uma história sobre o personagem Dupré, um químico misterioso que teria entrado em contato com o Rei Luís XV (1710-1774). Uma crônica inglesa do século 19 relata que Dupré demonstrou certa arma para o rei, que foi descrita como “possuidora de um fogo tão rápido e devastador que não podia ser evitado ou combatido”. Esse “fogo” era ativado pela água e a demonstração, realizada no canal de Versalhes, levou Luís XV a perceber que, com a arma, seria possível destruir toda uma frota de navios ou mesmo uma cidade. O monarca teria ficado tão assustado que mandou proibir o desenvolvimento do projeto. Os pesquisadores modernos não vêem muita dificuldade em afirmar que tal arma nada mais era do que uma bomba atômica primitiva, suposição que os cientistas sequer levam em consideração, considerando-a pura fantasia.
Na América do Sul também existem citações sobre objetos fora do contexto histórico. Em 1540, o monge Domingo de San Tomas redigiu o Lexicon, um dicionário de termos incas no qual surge a palavra quilpi, traduzida como “um instrumento óptico para se enxergar ao longe”, ou um telescópio, que os incas conheceriam e fariam uso em certas ocasiões. O objeto está completamente fora dos registros tradicionais da cultura inca, como é o caso também do rampa livrac, uma espécie de liteira utilizada pelos incas e quíchuas, e supostamente movida por uma força desconhecida que alguns pesquisadores modernos entendem como sendo energia elétrica.
Robert Charroux cita alguns inventos que teriam surgido em épocas mais recentes e sobre os quais, igualmente, só existem referências em textos. A maioria pode ser vista como brinquedos mecânicos, mas com uma tecnologia fantástica. É assim com a suposta águia mecânica do Imperador Maximiliano I, da Alemanha (1459-1519), que, segundo relatos, era capaz de voar das muralhas da cidade batendo as asas, percorrer uma longa distância e retornar ao ponto de partida.
Também existem menções a bonecos ou robôs, como o que teria pertencido ao Papa Silvestre II (920-1003): uma cabeça de bronze que respondia “sim” ou “não” a perguntas formuladas. Para alguns, aquilo era um verdadeiro autômato, de origem desconhecida, funcionando a partir de um sistema binário. Assim como outros objetos semelhantes, esse jamais foi encontrado.

Pesquisando a Fundo
Quando Charles Hoy Fort publicou O Livro dos Danados, em 1919, pouca gente imaginava que aquele seria o marco inicial de uma nova fase nas pesquisas sobre objetos e acontecimentos estranhos. Fort (1874-1932) foi um jornalista americano que reuniu cerca de 25 mil notas retiradas de jornais e revistas que colecionava, referentes a acontecimentos peculiares, artefatos insólitos e coisas que a ciência não conseguia explicar. Claro que muitos receberam seu livro como o produto de uma mente alucinada, mas a verdade é que ele deu início a uma verdadeira onda de estudos sobre nosso passado longínquo, que deu origem a trabalhos de Robert Charroux, Erich Von Däniken, Charles Berlitz e muitos outros.
Foi a partir dessas pesquisas modernas que objetos estranhos, como o Pilar de Delhi, começaram a ser divulgados. O pilar encontra-se no átrio de um templo, na cidade de Delhi, Índia. As informações são contraditórias, mas tem se atribuído ao pilar mais de 4 mil anos de idade, construído com peças de ferro soldadas. O aspecto misterioso é que a estrutura não apresenta qualquer sinal de ferrugem: em sua composição não existe enxofre e fósforo, o que denota a existência, na Antiguidade, de uma liga de ferro que supostamente não deveria existir ainda. Recentemente, alguns cientistas divulgaram que o pilar estaria finalmente enferrujando, mas essa informação foi desmentida por pesquisadores que visitaram o local. Da mesma forma, vários cientistas encontraram explicações para a situação do monumento, afirmando que nada existe de estranho no fato.


O Pilar de Delhi (Foto: Mark A. Wilson, Departamento de Geologia, The College of Wooster).

O Passado Impossível
Entre os objetos mais comentados pelos estudiosos estão as chamadas pilhas de Bagdá. Esses objetos foram encontrados durante escavações arqueológicas na região de Khouyout Rabbou’a, a leste de Bagdá, em 1930. Inicialmente consideradas objetos de culto religioso, foram quase que totalmente ignoradas e guardadas no porão de um museu até 1936, quando foram redescobertas por um engenheiro alemão que trabalhava na reconstrução dos esgotos de Bagdá.
As pilhas são pequenos vasos de terracota, com elementos metálicos no interior e medindo 15 centímetros de altura. Os estudos realizados por pesquisadores autônomos mostraram que os vasos eram, na verdade, pilhas elétricas, muito parecidas com as desenvolvidas por Alessandro Volta no final do século 18.


Uma das pilhas de Bagdá, decomposta.

 A idade calculada para os objetos foi de dois mil anos, o que abriu uma série de discussões: alguns afirmam que a ideia dos vasos serem acumuladores de energia é falsa, já que na época não existiam objetos desse tipo; outros ridicularizam o conceito, afirmando que a existência das pilhas é mais uma prova evidente de que o conhecimento científico das civilizações antigas é maior do que se supunha. A questão seria decidir se tais conhecimentos foram desenvolvidos por aqueles povos ou recebidos de outros, ainda mais antigos.
Jacques Bergier (1912-1978), um dos pesquisadores mais conhecidos no mundo, relatou a existência de um objeto ainda mais misterioso, cuja origem e propósito continuam indecifráveis. Conhecido como o Objeto de Coso, foi descoberto em 1961, na Califórnia, por escavadores que procuravam pedras semipreciosas. Uma gema, ao ser partida, tinha em seu interior um objeto com uma haste metálica central com 2 milímetros de espessura, circundada por uma espécie de cerâmica numa cavidade hexagonal com vestígios de cobre.
A forma lembra o diagrama de uma vela de ignição moderna, mas estudos científicos realizados indicam uma idade de aproximadamente 500 mil anos para o objeto. Mais uma vez, isso deu origem a posições extremadas sobre a existência de culturas bastante desenvolvidas no passado remoto do planeta.

O Mapa do Mundo
A ilha de Anticítera seria apenas mais uma das belas ilhas gregas do Mediterrâneo, situada entre Creta e o Peloponeso, se ali não tivesse sido encontrado mais um estranho objeto. Trata-se de uma espécie de relógio astronômico, com um conjunto muito bem elaborado de engrenagens e escalas para cálculos, mostrando as posições do zodíaco, movimentos de marés, revoluções dos planetas, além de ano, dias e meses.
A avaliação de laboratório forneceu a data de 82 ou 65 a.C. para o relógio, época em que tal aparelho supostamente não poderia (ou deveria) existir. Como esse é um dos objetos que ainda podem ser pesquisados, não há como negar sua autenticidade. Ainda assim, as únicas explicações fornecidas vêm dos pesquisadores autônomos, que chegam a sugerir uma ligação do objeto com a lendária civilização da Atlântida.
Mas a história mais misteriosa e, ao mesmo tempo, mais estudada pelos especialistas, é a dos mapas de Piri Reis, um almirante da marinha turca que, segundo se sabe, comandou a frota otomana por volta de 1550. Louis Pauwels (1920-1997) e Jacques Bergier, autores do livro O Despertar dos Magos, afirmaram que Piri Reis conseguiu os mapas no Oriente, o mais recente datando da época de Cristóvão Colombo. Já o escritor e pesquisador Erich Von Däniken diz que eles foram encontrados no Palácio Topkapi no início do século 18.


Parte do famoso mapa do comandante Piri Reis, mantido no Museu Topkapi em Istambul.

Em 1952, os mapas chegaram ao cartógrafo norte-americano Arlington H. Mallery para um exame detalhado. Ele percebeu que todos os acidentes geográficos estavam presentes, mas em lugares diferentes de onde eram mostrados nos mapas da época. Mallery pediu ajuda da Agência Hidrográfica da Marinha dos EUA para tentar determinar o motivo. Os dados foram transferidos para um globo moderno e percebeu-se que não havia qualquer engano – eles demonstravam a precisão de um mapa atual.
Por volta de 1955 os mapas foram enviados ao padre jesuíta Lineham, diretor do Observatório Weston, igualmente a serviço da marinha americana, onde novas e surpreendentes descobertas surgiram. Os mapas não apenas mostravam com precisão o relevo e interior dos continentes, mas também cadeias de montanhas existentes na Antártida. Essas montanhas só foram descobertas em 1952, quando se utilizou o sonar para determinar o relevo que se encontrava coberto pelo gelo.
Quando os cientistas se perguntaram como aquilo foi possível em uma época tão recuada, outras pesquisas levantaram novos mistérios. O professor Charles H. Hapgood e o matemático Richard W. Strachan compararam os mapas de Piri Reis com cartas aéreas recentes e descobriram que os mapas antigos podiam ser comparados a fotografias obtidas de grandes altitudes no espaço.
Desde então as controvérsias não cessaram. Alguns cientistas preferiram ignorar o fato sem tentar explicá-lo. Mas a verdade é que seria impossível obter mapas como aqueles usando as técnicas conhecidas na época de Piri Reis. E para complicar as coisas, outros pesquisadores afirmam que os mapas não são originais, mas cópias de documentos ainda mais antigos.
O trabalho de investigação dos estranhos objetos continua até os dias de hoje. Alguns pesquisadores defendem que só será possível chegar a alguma conclusão definitiva sobre eles quando a ciência aceitar a possibilidade de civilizações passadas terem possuído tecnologia igual ou superior à que conhecemos hoje em dia.
 


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