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HAARP: A Arma Definitiva?

Autor Gilberto Schoereder
31/01/2011

Uma conversa com Jerry E. Smith, autor do livro Armas Eletromagnéticas, a respeito do que ele considera um dos projetos de defesa mais polêmicos de todos os tempos.

Foto: Jeferson Rodrigues.


HAARP: A Arma Definitiva?

O escritor e pesquisador norte-americano Jerry E. Smith é o autor do livro Armas Eletromagnéticas (Editora Aleph), no qual conta toda a história em torno do HAARP, um dos projetos de defesa mais polêmicos de todos os tempos.

Gilberto Schoereder


Foto: Jeferson Rodrigues.

 

O HAARP ainda é pouco conhecido no Brasil, mas nos Estados Unidos e Europa já despertou imensas controvérsias. O nome significa High Frequency Active Auroral Research Program – Progama de Pesquisa de Ativação de Alta Frequência Auroral – projeto pertencente ao Departamento de Defesa dos EUA.
Esse foi o assunto escolhido por Jerry E. Smith para seu livro Armas Eletromagnéticas: Seria o Projeto HAARP a Próxima Ameaça Mundial? (HAARP: The Ultimate Weapon Of The Conspiracy), publicado no Brasil pela Editora Aleph. É um livro excelente para esclarecer o emaranhado de informações (ou desinformações) que podem ser encontradas sobre o tema na internet.
Smith, que se denomina um escritor independente, editor e ativista há mais de três décadas, passou a maior parte de sua vida pesquisando e escrevendo a respeito da "guerra contra a liberdade". Residente em Sedona, no Arizona, Jerry Smith diz que, atualmente, seus principais interesses são o combate à corrupção no governo local, a fabricação de cerveja artesanal, assistir a apresentações teatrais ao vivo e correr por estradas secundárias em sua motocicleta.
Mas o que ele tem a falar sobre o HAARP não é tão ameno quanto essas outras atividades. Ele diz que se trata da maior e da mais poderosa instalação do gênero no mundo – porém, a verdadeira natureza da instalação tem sido tema de intenso debate. Tanto o governo quanto militares e acadêmicos dizem que se trata de uma estação de pesquisa puramente científica, com o objetivo de aumentar nossa compreensão da atmosfera superior. Mas essas declarações não convencem os detratores do projeto.
"Alguns investigadores", explica Smith, "consideram o HAARP um protótipo para um sistema de armamento 'Guerra nas Estrelas'. Pode ser um radar que alcance além do horizonte, ou pode ser para destruir mísseis intercontinentais iminentes, ou talvez para fritar os circuitos eletrônicos de satélites-espiões, ou derrubar comunicações de rádio inimigas. Os pesquisadores suspeitam que essas sejam as finalidades reais porque todas são capacidades descritas nas patentes originais em que o sistema HAARP de antenas se baseia. O pessoal responsável pelo HAARP, entretanto, nega qualquer relação entre o projeto e essas patentes. Essa atitude, naturalmente, atraiu acusações de dissimulação e conspiração. Porém, parece que não é só sobre isso que eles mentem".


Jerry E. Smith, autor de Armas Eletromagnéticas.

O HAARP teve sua construção finalizada em 2007, mas já está em uso desde 1995, com vários níveis de potência, e já então as pessoas que investigavam o assunto queriam saber do que essa tecnologia seria capaz.
"Muitas das hipóteses parecem pura ficção científica", diz Smith. "Alguns relataram que o HAARP seria usado para controlar o clima. Outros previram que seria usado para despertar vulcões ou desencadear terremotos. Outros, ainda, viram um potencial para 'embriagar corações e mentes' de populações-alvo, irradiando emoções ou ordens diretamente para a cabeça das pessoas. Alguns especularam que seria usado pela Nova Ordem Mundial para dominar o mundo, projetando imagens holográficas no céu e irradiando comandos mentais nos mandando aceitar o 'novo deus' que eles quisessem. E outros também pensaram que se tratava de um sistema de defesa planetário contra invasores do espaço sideral. E há ideias até mais inusitadas sobre o que 'eles' querem do HAARP".
Assim, quando começou a escrever seu livro, Jerry Smith tinha o intuito de separar a verdade da ficção nas muitas teses a respeito do que o HAARP pode ou não fazer, mas logo percebeu que o projeto era apenas a ponta de um "sórdido iceberg". Logo, descobriu mais coisas sobre o lado ruim das tecnologias eletromagnéticas do que gostaria de saber. "E essas coisas", desabafa, "são muito piores no âmbito do complexo militar-industrial-acadêmico do que eu, como um jovem militante pacifista dos anos 1960, imaginava. O livro se tornou um exame de duas questões básicas: qual é a falha fundamental na maneira como a ciência é sustentada financeiramente e administrada; e como uma democracia pode se defender de seu próprio exército e de seus órgãos secretos de inteligência?"


As instalações do HAARP, no Alasca, em 2005 (Foto: HAARP - www.haarp.alaska.edu/haarp/ohd.html).

Para os leigos que procuram informações na internet, fica difícil saber em quem confiar, saber o que é verdade e o que é especulação em meio a uma enxurrada de informações, muitas vezes desencontradas. "Realmente”, explica Smith, "é difícil para um leigo formar uma visão do HAARP. Pouca gente tem a formação técnica ou política para separar a verdade do mito. De fato, muitos de nós, que temos estudado o HAARP há mais de uma década, ainda estamos confusos. O dr. Nick Begich, coautor do primeiro livro sobre o tema, agora acredita que o HAARP seja um dispositivo de controle da mente. Por outro lado, embora eu estivesse de início preocupado com o potencial do HAARP para esse fim, hoje estou convencido de que se trata de um armamento 'Guerra nas Estrelas' na superfície da Terra. O que posso sugerir a qualquer pessoa interessada em compreender o HAARP é que ela conduza sua própria pesquisa o melhor possível e chegue às próprias conclusões – e que esteja disposta a mudar seus conceitos à medida que surjam fatos novos. O maior erro seria ler um único artigo ou examinar só um aspecto do projeto e concluir que 'é isso'".
O HAARP é um projeto oficial do governo dos EUA, conduzido pela Universidade do Alasca, que inclusive tem uma página para o projeto (www.haarp.alaska.edu/haarp/). Atualmente, o gerenciamento é feito pelo DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency – Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa: http://www.darpa.mil/). Segundo explica Smith, recentemente o TTO (Tactical Technology Office, Gabinete de Tecnologia Tática) da DARPA (www.darpa.mil/tto/) assumiu o projeto HAARP, retirando-o da equipe de gerenciamento conjunto da Força Aérea e da Marinha (a equipe que assumiu originalmente o projeto). O TTO é um dos oito setores técnicos da DARPA, e o gerente de programa para o HAARP é o dr. Sheldon Z. Meth, que também encabeça outros três projetos da DARPA: o Air Laser, o Laser Star e a MAHEM (Magneto Hydrodynamic Explosive Munition – munição explosiva magneto-hidrodinâmica)".
"A principal contratada para a construção do HAARP, e que atualmente detém as patentes da [empresa] APTI nas quais o projeto se baseia, é a Divisão de Integração de Sistemas de Informação e Guerra Eletrônica da BAE Systems North America (http://www.eis.na.baesystems.com/). Em fevereiro de 2003, a BAE comprou a APTI e as patentes HAARP e, por conseguinte, o contrato para terminar o projeto".

Jerry Smith continua explicando que, em 2004, o Gabinete de Pesquisa Naval, um dos gerenciadoress originais do HAARP, fechou com a BAE um contrato de valor prefixado de 35.351.790 dólares, regido por um contrato anterior para a fabricação, em quantidade e prazo indefinidos, de transmissores de alta frequência a serem instalados no sistema de antenas em fase, das instalações do HAARP em Gakona.
Como já se disse, existem muitas especulações sobre os reais propósitos do HAARP. Os participantes do projeto já se manifestaram oficialmente afirmando que, entre os objetivos, estaria o de estabelecer comunicação com submarinos imersos a grande profundidade, realizar tomografia subterrânea para monitorar atividades de produção e lançamento de armas de destruição em massa em bases subterrâneas de outras nações; dessa forma, estaria verificando o cumprimento de tratados de não-proliferação de tais armas.
"Esta função", conta Smith, "que se assemelha a uma tomografia gigante ou a um radar voltado para o solo, era o motivador original quando o senado dos EUA aprovou as verbas do projeto para o Departamento da Defesa". Já as especulações que se referem a alterações propositais no clima e no ambiente provêm, segundo o autor, das patentes originais sobre as quais o programa foi erigido, patentes que foram obtidas pela APTI – que por sua vez é uma subsidiária da ARCO, a gigante do petróleo – por uma equipe encabeçada pelo dr. Bernard Eastlund. Eram 12 patentes e, na primeira, o dr. Eastlund menciona especificamente duas técnicas pelas quais seu "método e dispositivo" poderia ser usado para interferir no clima. "Note-se que, oficialmente, o HAARP nega qualquer ligação com Eastlund ou suas patentes. Entretanto, é fácil constatar que o HAARP é um refinamento dessas patentes, como vários investigadores, inclusive eu, têm demonstrado. Outras bases científicas para supostas aplicações como ativar vulcões ou perturbar e até controlar a mente de populações, podem ser encontradas por uma leitura cuidadosa da literatura científica relativa a essas áreas e na comparação entre os tipos de 'métodos e dispositivos' nela descritos e aquilo que está sendo construído no Alasca".

Essas especulações em torno das atividades do HAARP costumam ser classificadas no campo das chamadas "teorias conspiratórias", com o que Jerry Smith não concorda. "Chamar algo de 'teoria conspiratória' é uma técnica de propaganda. Teorias conspiratórias são teorias apenas até serem provadas. Nos tribunais dos EUA, comprovam-se conspirações praticamente toda semana. As pessoas constantemente se organizam para tráfico de drogas, pornografia ou quaisquer crimes. Por que deveríamos ter dificuldade para aceitar que indivíduos dentro de grandes corporações e de órgãos do nosso governo podem conspirar para conduzirem negócios escusos?"
"É um fato provado", ele continua, "que empreiteiros particulares, por superfaturamento e outros meios, roubam milhões do governo. Também se sabe que o governo conduz atividades secretas. Algumas são perfeitamente legítimas, mas não queremos que potências estrangeiras saibam delas; por outro lado, algumas dessas operações são altamente questionáveis, a ponto de o povo e outros governos as repudiarem se reveladas. Considerar a possibilidade de operações clandestinas ou 'conspirações' é o papel, consagrado historicamente, do jornalista investigativo. Aonde chegariam Woodward e Bernstein se tivessem desistido do caso Watergate só por alguém ter lhes dito que tudo não passava de uma 'teoria conspiratória'?"
O fato é que é simplesmente impossível um projeto ser financiado pelos militares e não ter propósitos militares. "Um dos primeiros documentos do HAARP declarava: 'O coração do programa será o desenvolvimento de uma capacidade única de aquecimento da ionosfera para conduzir as experiências pioneiras necessárias para avaliar adequadamente o potencial de uma tecnologia de melhorias ionosféricas para os propósitos do Departamento de Defesa'. Examinemos essa frase".
"O HAARP é um tipo de dispositivo chamado aquecedor ionosférico – assim como o HIPAS, a instalação em Poker Flat. O que o HAARP tem de único em ralação ao HIPAS e a outros aquecedores ionosféricos ao redor do mundo é a capacidade de focalizar a energia emitida por seu campo de antenas em um ponto no alto da atmosfera. É essa a capacidade que o dr. Eastlund e sua equipe patentearam enquanto trabalhavam na APTI. 'Melhoria ionosférica' é um termo militar para a alteração proposital da ionosfera, para algum uso prático. No caso do HAARP, alterar é aumentar a temperatura na ionosfera em cerca de 1.100° C, o que muda a forma da região ionizada, gera uma pequena emissão de energia de rádio de frequência extremamente baixa (ELF, extremely low frequency), e pode até mesmo mandar parte da atmosfera para o espaço no estado de plasma eletricamente carregado. Em termos menos técnicos, o que a frase diz é que o HAARP servirá para descobrir se a ionosfera pode ser usada como arma. Essa viabilidade já foi demonstrada com sucesso, como revelarei em breve num próximo livro".
[N.E.: O livro é Weather Warfare, publicado nos EUA em 2006. Esta entrevista foi realizada em 2005]


(Foto: Jeferson Rodrigues).

O dr. Eastlund chegou a declarar a alguns meios de comunicação que ele tinha outras ideias quanto à aplicação de sua invenção. Segundo Jerry Smith, representantes do HAARP aproveitam toda oportunidade para se distanciar de Eastlund. "Aqueles que não sabem dos fatos", diz Smith, "dizem aquilo que foram orientados para dizer; e aqueles que sabem, não querem que o mundo descubra o que realmente está em curso: o HAARP é o sistema de defesa antimíssil mais avançado da América. Isso, eles jamais admitiriam".
O fato é que o dr. Eastlund trabalhava para a APTI, e todas as patentes foram concedidas a ele, mas em benefício do empregador, que se tornou proprietário delas. "Depois que Eastlund tornou público seu papel no HAARP, ele foi removido da APTI e, então, fundou sua própria empresa. A APTI foi a contratada inicial para construir o HAARP, mas logo depois foi vendida por sua empresa-matriz, a ARCO, para outra contratada de projetos de defesa, a E Systems. Depois, a Raytheon comprou a E Systems e vendeu a APTI para a BAE Systems. Como cada uma dessas vendas incluía as patentes, ou seja, a propriedade intelectual que embasava o projeto, o contrato para a construção também mudava de mãos conjuntamente, pois o HAARP não poderia ser realizado sem essas patentes. É a prova mais clara de que o HAARP é, de fato, criação do dr. Eastlund".
O que mais chama a atenção dos leigos com relação às possíveis aplicações do HAARP parece ser exatamente a possibilidade de tornar possível um sistema de manipulação e destruição dos processos mentais humanos, inclusive atuando sobre extensas áreas geográficas.
"Existem substanciais evidências científicas de que o HAARP pode ser usado para impor um impacto marcante na consciência humana", diz Smith. "Como já foi mencionado, os usos oficialmente reconhecidos do HAARP são muito variados. Tanto a comunicação com submarinos em grandes profundidades como a tomografia subterrânea envolvem embeber o mundo com ondas de rádio de frequência extremamente baixa. Tais frequências são exatamente as mesmas em que o cérebro humano funciona. A ciência sabe que o cérebro é um transceptor de rádio, que emite ondas de rádio muito fracas e recebe e responde a certas frequências de rádio. Nas últimas décadas, pesquisadores do mundo todo têm investigado o potencial desse conhecimento. Hoje, estamos à beira de conectar a mente a um computador por meio de 'modens de cérebro'. Outras técnicas que usam essa tecnologia, como a do biofeedback, têm liberado o poder da mente dando às pessoas possibilidades como funções mentais ampliadas, sonhos lúcidos e meditação imediata. A capacidade do HAARP de irradiar energia em frequências cerebrais conhecidas traz um risco muito plausível e grave. A emissão pode, mesmo como efeito colateral não intencional, causar distúrbios mentais em uma vasta área. E, se usada intencionalmente, poderia ser a arma definitiva, alvejando o inimigo do modo mais eficaz imaginável – dentro da própria mente".
Com tudo isso em consideração, é ou não é para ser paranoico?

 

 Nikola Tesla
Já foi dito por alguns pesquisadores que as patentes envolvidas no projeto HAARP encontram paralelo nas invenções de Nikola Tesla (1857-1943), tido por alguns como o maior gênio da humanidade, ainda que muitas vezes incompreendido ou considerado louco.
Diz-se que Tesla teria inventado o autêntico "raio da morte", com o qual seria possível construir uma espécie de "muralha invisível" em torno de um país (no caso, os Estados Unidos), ou "derreter" motores de aviões a 400 km de distância. Com suas experiências no início do século, alguns especialistas chegaram a supor que o aparelho de Tesla poderia ter sido o responsável pelo acidente em Tunguska, em 1908.


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